terça-feira, 6 de março de 2018

Eterna Amada, Doce Morada


A decepção disfarçada de espelho
E aquele velho centelho
Ainda habita o meu peito
Como se ele fosse morada
Eterna dos seus beijos

O caminho perdido
O tempo esgotado
me faço caminho
me conto tempo

Os erros são finitos
E podem ser esquecidos
Enquanto os corações
Permanecerem aquecidos

Esquisito e deslocado
A fama do desesperado
Que vaga em busca
De tudo que não deve ser procurado

O amor não se explica
Não se questiona
Não se mede
E não se direciona

Os porquês eu não tenho
Possuo apenas os resultados de suas causas
O reflexo é este em pé em sua janela
Porém pode lhe faltar a aquarela

E sem cores não há quadros
Pois quem suportaria viver
Em quadros negros e cinzentos ?
Contando apenas lamentos…

A tristeza se faz presente
O brilho a tanto ausente
Está longe de abraçar a gente
O frio é eminente

Caço eloquente, palavras
Gestos ou abraços
Tentando resgatar laços
Cortados com navalhas de aço

Lembro-me do olhar que me destes
Num ponto qualquer
Ali deveria ter estacionado o tempo
Congelando assim os lamentos
Antes de tornarem tormentos

Nos dias atuais
Enquanto agracio momentos banais
Tenho a certeza que não me fiz capaz
De amar-te

Mas como não se te amo até o fundo âmago ?
Por que me doí tanto te ver partir ?
Sinto que aquele olhar viajou no tempo
E esta aqui torcendo pra te encontrar e se redimir

Não há esquecimento
Mas há o kintsukuroi
Que une tudo que um dia se quebrou
E os transforma em rios de ouro
Unidos pelo propósito único
Do amor…

E como te amo. 


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